- Como assim "aniversário"? Achei que vocês fossem eternas, ou algo assim.
- Nós somos, de certa forma - respondeu a moça azul ao Viajante. Apesar de ela ser a personificação da água, ele nunca havia visto seus olhos marejarem daquela maneira -, mas até nós tivemos um início. A cada quarenta e dois dos seus anos solares nós celebramos o primeiro dia de nossas existências.
- Por que quarenta e dois?
- É uma longa história, e não é o que importa agora. Eu preciso de um presente para a Cigana Vermelha! É muito complicado achar algo para ela. Eu não queria aparecer de mãos vazias... e deixei a data passar! Ela está me esperando há dias no nosso ponto de encontro.
- Imagino que um extintor de incêndio seja um presente de muito mal gosto.
- Ivan, isso é sério! - Shuei deixou duas lágrimas escorrerem por suas bochechas, mas que logo foram absorvidas por sua pele azul. - Eu já lhe dei todos os presentes possíveis que não iriam queimar nas suas mãos em poucos segundos. Não sei mais o que fazer!
O Viajante pensou por um momento. Então sua face se expandiu num largo sorriso e ele correu vasculhar sua enorme mochila atrás de algo. Shuei esticou o pescoço na sua direção, curiosa.
- Já sei o que você pode dar a ela!
Minutos depois, Shuei se aproximava da uma formação rochosa bastante isolada no interior da Irlanda. A Cigana Vermelha estava lá, de braços cruzados, apreciando a paisagem com uma aura flamejante de impaciência. Literalmente.
- Já era hora - ela disse sem se virar, ouvindo os passos da irmã se aproximando. - Estava começando a achar que você não viria. Perdi muitos compromissos importantes para ficar aqui te esperando, sabia?
De repente sentiu dois braços gelados a envolvendo. Em instantes aqueles braços esquentaram e ela os afastou, preocupada. Quando se virou, viu que Shuei estava sorrindo estranhamente... Era um sorriso amarelo, mas não por ela estar sem graça, e sim de coloração amarelada.
- Eu... você não evaporou. E também não apagou minha pele! O que você fez?
- O Viajante me emprestou um gel que ele achou num dos cantos do mundo que consegue me isolar do seu fogo. Posso te abraçar o quanto quiser agora.
A Cigana a olhou desconfiada, mas com o coração palpitando de ansiedade. Em todas as suas vidas ela e Shuei nunca puderam se tocar por anularem uma à outra. Às vezes até achava que era aquele afastamento imposto que acabava afastando as irmãs em seus ideais. Mas agora...
- Isso é seguro mesmo.
Shuei não respondeu, apenas a abraçou. O gel inflamou, mas ela não esboçou reação. Continuou apertando a irmã com toda a firmeza que seus bracinhos aquosos podiam sustentar.
- Você está pegando fogo, sabia?
- Não está machucando. Se incomodar, eu te solto.
- Você está pegajosa também.
- Sua boba...
- Nós somos, de certa forma - respondeu a moça azul ao Viajante. Apesar de ela ser a personificação da água, ele nunca havia visto seus olhos marejarem daquela maneira -, mas até nós tivemos um início. A cada quarenta e dois dos seus anos solares nós celebramos o primeiro dia de nossas existências.
- Por que quarenta e dois?
- É uma longa história, e não é o que importa agora. Eu preciso de um presente para a Cigana Vermelha! É muito complicado achar algo para ela. Eu não queria aparecer de mãos vazias... e deixei a data passar! Ela está me esperando há dias no nosso ponto de encontro.
- Imagino que um extintor de incêndio seja um presente de muito mal gosto.
- Ivan, isso é sério! - Shuei deixou duas lágrimas escorrerem por suas bochechas, mas que logo foram absorvidas por sua pele azul. - Eu já lhe dei todos os presentes possíveis que não iriam queimar nas suas mãos em poucos segundos. Não sei mais o que fazer!
O Viajante pensou por um momento. Então sua face se expandiu num largo sorriso e ele correu vasculhar sua enorme mochila atrás de algo. Shuei esticou o pescoço na sua direção, curiosa.
- Já sei o que você pode dar a ela!
Minutos depois, Shuei se aproximava da uma formação rochosa bastante isolada no interior da Irlanda. A Cigana Vermelha estava lá, de braços cruzados, apreciando a paisagem com uma aura flamejante de impaciência. Literalmente.
- Já era hora - ela disse sem se virar, ouvindo os passos da irmã se aproximando. - Estava começando a achar que você não viria. Perdi muitos compromissos importantes para ficar aqui te esperando, sabia?
De repente sentiu dois braços gelados a envolvendo. Em instantes aqueles braços esquentaram e ela os afastou, preocupada. Quando se virou, viu que Shuei estava sorrindo estranhamente... Era um sorriso amarelo, mas não por ela estar sem graça, e sim de coloração amarelada.
- Eu... você não evaporou. E também não apagou minha pele! O que você fez?
- O Viajante me emprestou um gel que ele achou num dos cantos do mundo que consegue me isolar do seu fogo. Posso te abraçar o quanto quiser agora.
A Cigana a olhou desconfiada, mas com o coração palpitando de ansiedade. Em todas as suas vidas ela e Shuei nunca puderam se tocar por anularem uma à outra. Às vezes até achava que era aquele afastamento imposto que acabava afastando as irmãs em seus ideais. Mas agora...
- Isso é seguro mesmo.
Shuei não respondeu, apenas a abraçou. O gel inflamou, mas ela não esboçou reação. Continuou apertando a irmã com toda a firmeza que seus bracinhos aquosos podiam sustentar.
- Você está pegando fogo, sabia?
- Não está machucando. Se incomodar, eu te solto.
- Você está pegajosa também.
- Sua boba...
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