Desenhista, modelo, atriz,
professora, escritora, cantora, médica, arquiteta, empresária,
psicóloga, publicitária, jornalista, advogada, juíza, designer, historiadora,
veterinária, produtora, locutora.
Todas as
palavras estavam arrumadas, metodicamente, uma embaixo da outra com uma estrela
colorida na frente.
Precedido por
“desejos dois pontos” podia-se ler: mudar o mundo, abrigar todos os animais de
rua, acabar com as injustiças, escrever um livro, montar
uma banda, fazer um filme, conhecer todos os países e ajudar crianças e
velhinhos.
E por último,
com letras menores, como se fosse apenas uma observação particular, via-se:
Medo de se dedicar a algo e abrir mão das outras coisas. Queria crescer logo para poder fazer tudo
isso.
Leu novamente
o papel amarelado em sua mão. Estava guardado junto aos cadernos da quinta
série. Nada havia
mudado desde aquela época, dez anos atrás. Continuava querendo fazer tudo
aquilo e tinha um profundo medo de se dedicar a algo e abdicar dos seus outros
sonhos. Devido a isto, continuava sempre
no mesmo lugar, sem fazer nada, com um aperto que consumia todo seu peito e
chegava à garganta. O tempo passava e nada tinha feito de sua vida. Queria ser
mais jovem para poder fazer tudo isso.
Dobrou
cuidadosamente o papel e guardou-o no meio do caderno grande com espiral. O
título da redação ainda martelava em sua cabeça: O que quero fazer quando
crescer.
FIRST! hahaha =XX
ResponderExcluirTodos se identifica >_<
Escrevi alguns anos atrás uma poesia com esse tema. A frustração era parecida...
ResponderExcluirEssa foi a grande angústia da época de escolher um curso pro vestibular. Realmente, os anos passam, mas as vontades não.
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