- Eu preciso escrever um texto.
- Certo. Parece que o senhor está buscando muito isso.
- É... isso mesmo.
- Antes de admiti-lo, preciso saber se o senhor está realmente disposto e preparado para tanto.
- Claro que estou.
- Não sei se o senhor entende a amplitude disso que acabei de lhe dizer. Um texto exige muito do seu pretendente a autor, muito...
- Certamente.
- No momento em que o senhor escrevê-lo, deve estar completamente absorto no texto. Mais do que qualquer qualificação que o autor tenha, o que vale nessa hora é a atenção que dedica a seu ofício, foco este capaz de despertar combinações de palavras, ousadias na abordagem, criatividade no conjunto. Como dizem, é preciso muita transpiração.
O candidato a escritor acenou, lentamente, com a cabeça.
- Nesse trabalho, é imprescindível dar tudo de si, a um só tempo. É preciso dar-se por inteiro ao texto, pois quando acabá-lo, terá vida própria, e não muito mais poderá fazer por ele. Posto no mundo, o escrito deixará de ser (se é que um dia foi) seu. Portanto, tudo o que puder fazer por ele o faça na sua concepção. Depois será tarde demais.
“O autor deverá partir da sua esfera mais íntima, e sem temor, provocar antes a si mesmo, para depois provocar com as palavras. Apesar de o texto estar condenado a não lhe pertencer, a sua dedicação a ele deixará marcas, e não poderá esquivar-se de expô-las.
Não deverá o escritor, porém, esquecer-se do outro, dos outros, de cuja existência depende a sua própria e a do texto. Travará, assim, um diálogo a três: consigo mesmo, com o outro e com o texto. E por mais tempo, paciência, suor e artimanhas que para isso seja necessário, não deverá desistir.
Tem certeza que está preparado para isso?”
Ainda bem que quando comecei a escrever, lá com meus 11, 12 anos, eu não tinha noção disso. Um brinde à coragem (mesmo que, às vezes, inocente) dos aspirantes a escritores!
ResponderExcluirTim tim!
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