Jogo decisivo. O clima era de final de campeonato, atmosfera colegial de jogos juvenis, onde as rivalidades vão além dos times em campo.
Nas arquibancadas, avolumava-se a torcida. A cada lado, juntavam-se à torcida dos times em campo as daqueles já derrotados, que torciam contra quem os tirou da competição.
O jogo, acirrado, foi parar nos pênaltis. Toma lá, dá cá, o tempo todo. Empatando sempre. Contudo, o mais curioso foi que um dos torcedores (que nao deixava de ser um curioso aluno), chamado Vértice, previa cada lance. Adiantava-se o jogador para bater a bola, ele olhava, e dizia:
- Esse acerta.
Dito e feito. por vezes dizia não apenas o desenlace do lance, como a circunstância:
- Ele vai chutar forte, mas vai bater em cima do goleiro, e não vai acertar.
E não deu outra.
No último jogador, olha, e diz:
- Esse eu não opino. Imprevisível.
E a bola não entra. Fim de jogo.
Quem estava próximo a ele, pergunta-lhe:
- Como você já sabia cada lance, Vértice?
- Ué, não depende se o cara é bom ou não. É a frieza. O Leite é calmo, centrado. Já o Jarbas é agitado, se deixa levar pelas emoções...
...e assim calculava os movimentos humanos, como equações matemáticas.
Very nice!
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