O dia
acabava tarde, culpa do solstício que havia acabado de acontecer. Estes dias
compridos eram ótimos para retardar um pouco a volta para casa. Mesmo assim,
cada um do grupo estava ansioso para chegar lá. Onde os peixes eram preparados
com cuidado, temperados com uma incrível variedade de pimentas. Os grandes
seriam assados, os pequenos viriam a ser uma deliciosa sopa. Aqueles camarões
pequenos seriam perfeitos.
O aroma da
ceia tomava todo o espaço, vazava pelas pequenas aberturas da parede, e todos
que viviam perto já estavam com o apetite aguçado para a noite.
Havia algo
de especial nessa noite de final de dezembro, não havia aquela costumeira chuva
forte e o céu estava aberto. As sombras de lua formavam formas interessantes
sob o efeito dos galhos de árvores. O banquete seria armado todo fora. Naquele
calor forte, com uma leve brisa úmida, nada demais. As folhas permaneciam no
lugar.
Havia fogo,
não pelo calor, mas pela tradição. Nos amenos invernos secos os banquetes na
praça central eram bem mais comuns, e o fogo essencial para espantar o frio ameno.
A lua já
estava subindo enquanto todos vinham se acumulando em volta do banquete. As
famílias estavam juntas, conversando e esperando a ceia ficar pronta. Os peixes
assados eram levados ao centro, o cheiro de ervas era hipnotizante, a sopa
estava deliciosa. A conversa também.
A música
não poderia faltar.
Comeram,
cantaram, dançaram. As crianças faziam uma roda e giravam no ritmo da
percussão.
No fim da
noite, como de costume, a música se acabava, a dança se cansava e um a um todos
iam para seus lares. Afinal, o
dia seguinte seria tão comum como esta noite.
Com sorte,
na noite seguinte todos estariam lá, comendo juntos. E na seguinte também. E na
outra. E na outra. Enquanto a chuva se demorasse em chegar naquela pequena ilha,
haveria ceia.
Talvez um
dia descobrissem que nessa noite, haveria ceia ao redor do mundo.
Talvez um
dia descobrissem que uma de suas várias ceias teria sido uma ceia de Natal.
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