Ela olhava para ele enquanto ele mantinha os olhos fixos no copo, uma expressão serena que escondia as lágrimas que não queriam aparecer. Após um instante de silêncio, o rapaz apenas fez um tímido sinal afirmativo com a cabeça, esperando com todas as suas forças que isso fosse suficiente.
Um peso mórbido carregava o ar. Não sobre todo o ambiente, apenas sobre os dois; nas outras mesas as pessoas conversavam alto, os garçons andavam para lá e para cá. Ninguém ali reverenciava aquele momento triste.
A moça, entendendo por fim o silêncio desconfortante, tocou timidamente a mão do rapaz e disse "Fique bem". Em seguida, levantou de seu lugar, se dirigiu ao garçom, pagou a cerveja e foi embora sem olhar para trás. Sem olhar para trás.
O bar pareceu apertado de repente. O garçom que passava por ali e as pessoas das outras mesas não entendiam aquele silêncio que, aos poucos, passou a escurecer, sufocar, matar...
Enquanto o rapaz coçava pensativo sua barba mal feita foi capaz de ouvir algo através daquela mortalha. Não eram as pessoas e nem era o garçom; era "aquele cara que insistia em cantar". Ele tinha um violão, sentava em um banco alto e cantava para o microfone: ele entendia, sabia exatamente o que dizia. Aquela música era a alma gêmea daquele silêncio; eles flertavam e faziam as emoções se confundirem.
O garoto, sem raciocinar claramente, terminou seu copo de cerveja, levantou, andou para perto do couvert e dançou entre as mesas. Não sabia dançar, mas isso não importava. Um garçom, notando o inconveniente, fez menção de interromper aquele momento, mas foi impedido por sua colega de trabalho, que dizia "Deixa, deixa!".
Ele sorria, seu silêncio ali estava completo. Pouco a pouco, casais começaram a se levantar e dançar contagiados. No final da música, todos aplaudiram e voltaram a seus lugares mais sorridentes enquanto o couvert agradecia, feliz com a reação de sua platéia.
O rapaz foi embora carregando seu silêncio consigo, sem ousar interrompê-lo com palavra ou lágrima. Em casa, deitou a cabeça no travesseiro e chorou. Quando dormiu, porém, estava sorrindo e seu pé mexia sozinho em baixo da coberta, como se continuasse a música de antes.
É assim que eu me sinto atualmente...
ResponderExcluireu já dancei debaixo da coberta.
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