Uma velhinha
se encontrava sentada no banco duro do hospital, exatamente entre os quartos
302 e 303. Ela passara o dia todo ali, em silêncio, entretida com uma revista
sobre celebridades. O único barulho que a acompanhava eram os passos apressados
dos funcionários.
Dado o passar
das horas e a idade avançada uma enfermeira chamou sua atenção, perguntando se
precisava de algo.
- Certamente
não. – Respondeu sem nem erguer os olhos.
- O horário de
visitas vai acabar daqui uma hora senhora.
- Não
precisarei de muito mais tempo.
Sem entender,
a prestativa enfermeira apenas foi fazer algo mais importante do que estar ali
incomodando a vida da senhorinha.
- Então nos
encontramos de novo. – Dessa vez o interlocutor não era a simpática e
prestativa enfermeira, mas um jovem homem de sobretudo preto e calça jeans. Ele
se acomodou no banco duro ao lado da velhinha e pôs-se a olhar um bonito
relógio de bolso que estava aberto em sua mão.
- Você é
sempre muito pontual. – Respondeu ela, largando a revista de lado e pegando uma
pequena caixa de costura que estava descansando aos seus pés.
- E você
certamente já teve passatempos melhores. – Retrucou olhando a revista contando
as intimidades do novo casal mais aclamado da mídia.
A velhinha
soltou uma risada abafada e tateou o emaranhado de fios dentro da caixa,
puxando um azul escuro muito longo. Alguns segundos se passaram em silencio
enquanto ela o desenrolava dos demais. O homem apenas olhava para seu relógio,
um pouco entediado.
Sem uma
palavra, ela retirou uma grande tesoura do fundo da caixa, mediu o fio com
olhos precisos, como se soubesse exatamente em qual milímetro iria cortar. E então o fez, mas seu ato foi misturado a
uma grande algazarra. No mesmo instante em que a tesoura rompeu o fio, um grito cortou o posto de enfermagem e passos soaram pelo corredor.
Era gente para
todo o lado, enfermeiras com seus aparatos romperam dentro do quarto e tentavam acordar a senhora idosa do 303. Enquanto
isso o homem de preto fechou seu relógio, levantou do banco e foi para dentro
do quarto.
- Acredito
que nos veremos logo – Disse a velhinha, guardando seus fios na caixa de
costura.
- Claro
que nos veremos. Você é tanto quanto inevitável. – Riu da sua própria piada e
se despediu com um aceno.
Entrou no
quarto, em meio as enfermeiras ainda agitadas e cumprimentou a senhora ao lado
da cama.
- Olá
Rebecca. Está na hora de irmos. – Suas palavras encontraram o olhar atordoado
da mulher.
- Eu
morri?
- Apenas
encontrou o seu destino. – Disse enquanto olhava o corpo sem vida na cama. – Ou
talvez o destino tenha te encontrado.
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Nota da autora:
Não consegui postar terça-feira por causa de uma viagem que tive que fazer. Muito obrigada a Cinthia por ter trocado de dia comigo! :)
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Nota da autora:
Não consegui postar terça-feira por causa de uma viagem que tive que fazer. Muito obrigada a Cinthia por ter trocado de dia comigo! :)
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