Estes dias estão ficando cada vez mais caóticos, muita gente
se espremendo em uma cidade que não conhece limites para crescer. Ruas
entupidas de pessoas, veículos. Fumaça e barulho estão por todo lado. E isso se
reflete claramente na rotina, e , consequentemente, na vida de todas as
pessoas.
Menos uma, de fato.
Em um pequeno apartamento, localizado em um prédio bastante
antigo, mas que possuía algo que ainda o tornava especial, mora um sujeito
interessante. Deve, a este momento, estar voltando para casa, depois de um dia
estafante no trabalho. Mas isso para ele
não era um problema, pois ele tem uma habilidade especial.
Uma espécie de
superpoder contemporâneo.
Sim, ótimo nome para isso: Um "super poder
contemporâneo"!
Algo que o colocava em um patamar completamente diferenciado
de todos os que estavam à sua volta, meras vítimas de uma rotina que ele
considerava completamente inútil. Ele estava sempre lá, olhando aquela maçaroca
de gente em volta dele, nunca deixando de exibir aquele sorriso amarelo de
indiferença.
Sim, indiferença. Esse é a habilidade mais cobiçada em uma
cidade tão caótica.
Ele não gosta e nem odeia a rotina, apenas é indiferente.
Não gosta da maratona diária, mas nem a odeia. Simplesmente segue indiferente.
Nesta toada ele toma todos os caminhos na sua vida. Ele
segue sempre em frente, como se o que tivesse ficado para trás, não importasse
mais. Como se os problemas não importassem. Nem mesmo existissem.
Ah! Bendita indiferença.
Tornou-o imune a tudo que a Cidade possa jogar em sua frente
para tornar seu dia um inferno. Ele não se alterava. Era indiferente a tudo
isso.
Assim ele segue adiante com sua vida. Em uma estabilidade
inquestionável que acompanha seu inabalável sorriso amarelo e seus passos
solitários. Sim, sempre solitários. Pois ele não gosta de ninguém, nem odeia
ninguém.
Simplesmente é indiferente.
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