Três horas depois de deixar a capital, encontraram um vilarejo. Eram algumas poucas casas que se abeiravam naquela estrada simples.
- Aqui é dez...
O motorista falava mais para si, à medida que se aproximava da sua terra natal, tantos anos depois. Após um silêncio cheio de memórias e significado, decidiu falar aos outros:
- O pessoal costumava a chamar aqui de Dez pois daqui são dez quilômetros pra Tomazina.
- Mas aqui é o quê? - perguntou um passageiro, sem entender.
- Aqui é uma pequena vila chamada Dez - respondeu, simplificando as coisas. - Olha
ali, ó!
Passavam por uma mercearia de nome “10 Km”.
É... Tomazina dava nome a muitas coisas. Primeiro aos seus habitantes, os tomazinenses. Depois, a padarias, sorveterias, mercados e supermercados, restaurantes, pousadas, hotéis, postos de gasolina, muitas lojas e muitas empresas, lembranças e lembrancinhas, animais, plantas, ruas, vilas, quiçá cidades e países. Há muita gente também que se chama Thomas e Thomaz (com ou sem “h”), ou tem o sobrenome Tomazini, por causa de Tomazina. Tudo levava a crer, pela fala do motorista, que Tomazina era um grande nome.
- É... Tomazina é uma grande cidade... grande cidade...
Me lembra o livro "Cidades Invisíveis". =]
ResponderExcluirPoxa, aí jogou o elogio à estratosfera, Cinthia! Obrigada, hehe!
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