A vó esticou a mão e apertou o braço da neta, como sempre fazia quando queria sua atenção para lhe contar algo.
- Vou te contar, parece mentira, mas é verdade. Eu ´tava na casa da tia Iraty, e vi que ‘tava preparando um temporal. Naquele tempo eu cuidava de mamãe, então falei que eu já ia embora. Ela me emprestou um guarda-chuva do Durival, grande que nossa, daqueles do tempo dos milagrosos.
A neta aproveitou a pausa para perguntar à sua mãe:
- Quando foi isso?
- Na casa da tia Iraty.
- Quando foi isso?
- Ihh, faz tempo...
A vó continuou, como se não houvesse tido interrupções:
- Aí eu saí, e, quando cheguei no alto da rua, bateu um vento! Vou te contar, parece mentira, mas é verdade. Bateu um vento forte, que eu saí voando!
- Que guarda-chuva forte esse, hein?, comentou a neta, se divertindo.
- Aquele guarda-chuvão grande me carregou e eu dei na calçada. Morri de medo, porque lá tinha fios - os fios de lá são baixos, e eu quase bati nos fios!
- Então foi alto!, exclamou o filho, que entreouvia a conversa, sorrindo.
- Foi, quase no fio!
- Alto na cabeça dela, falou o filho, baixinho.
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